A Primeira Dança - Primeira Parte

  “ Sê o que ele quer!” Repeti mentalmente, antes de sair do toalete e ter que encarar o meu Mundo. Não era a prime...



 “ Sê o que ele quer!”

Repeti mentalmente, antes de sair do toalete e ter que encarar o meu Mundo.

Não era a primeira vez que ordenava-me a ser exatamente o que ele queria que fosse, essa noite seria uma das vezes que tornar-me-ia a filha perfeita.

Desde o momento que desci da limusine, interpretava a filha perfeita, mostrando o quão grata e feliz era para os fotógrafos e jornalistas que cobriam o evento. Uma noite inteiramente dedicada ao caridoso, humilde e solidário Renato Be
lle.
Porem as três características usadas para designar meu pai no discurso de abertura que sua adorável assistente pessoal fez, não se viam em nenhum canto do evento, porém substituía a elegância que minha atual madrasta não possuía.

Hipocrisia deveria ser o sobrenome de meu pai, porém seria uma das coisas que teria de herdar dele, infelizmente.

Minha alma estava no corpo certo, mas meu corpo estava na vida errada.

Homenagear um homem por ter feito uma doação de quase 1 milhão de dólares a uma pequena cidade em um país da África, fazendo uma gala onde foi gasto o dobro do dinheiro doado, apenas para ser um lugar de exibição, novos brinquedos dos Homens e qual das damas tinha o vestido mais exclusivo, e joias que alimentariam e abrigavam pessoas de um pais em África. Enquanto um homem estava desempregado por ter feito a transferência do valor doado sem uma autorização.



Sua mulher, “ mulher troféu” estava em seus braços, sendo guiada por ele ao longo da pista em mármore que era feito o chão daquele enorme salão, situados no centro da pista por baixo do exorbitante candelabro que deixava ainda mais brilhantes os quilates de ouro e diamante que estavam distribuídos pelo corpo dela em joias.

Por que razão deveria continuar ali? Meus conhecimentos adquiridos na Universidade de Texas não eram sobre moda, e minha mãe era a única mulher na vida de meu pai que sabia falar de números e a única que ele permitia.

Mas não tinha como fugir, não poderia simplesmente ir embora, pois meu papel ainda não tinha terminado, ainda me faltava sair daquele evento posicionada no lado direito de meu pai, com o meu braço entrelaçado ao seu, mostrando aos fotógrafos o quão feliz me encontrava pela memorável noite.

Discretamente dirigi-me a traseira da enorme sala onde ocorria o evento, sendo saudada pelo ar puro e fresco e um encantador jardim, que dava mais valor a mansão que já existia a mais de 100 anos.

Pequenas luzes e dispersas iluminavam o jardim, dando ao lugar um ar romântico e confortável, na minha opinião seria era o lugar perfeito para o evento, mas enquanto não fosse uma mulher casada, não era prestável para tais decisões segundo meu pai.

Era demasiado lindo, único. Um trabalho esplêndido da Natureza e o homem meus olhos estavam tendo a honra de observar.

- Demasiado rebelde para poder ouvir Beethoven? – Virei para que pudesse encarar o intruso de meu momento de conforto, que tinha sua identidade protegida por um arbusto.

- Tchaikovsky – corrigi-o.

- Desculpe? – Questionou caminhando um pouco, exibindo assim seu rosto.

- É uma obra de balé, estas a ouvir ao certo “ O Lago dos Cisnes” Peter Ilyich Tchaikovsky – expliquei ao desconhecido diante a mim.

- Século errado?- interrogou-me com um sorriso torto em seus lábios, levando de seguida a taça de champagne aos seus lábios.

- Vida errada – informei voltando a apreciar a luz da lua sobre as flores perfeitamente tratadas.

- Não existe vida errada, mas sim vivê-la mal – comentou posicionado do meu lado.

Seus olhos estavam fixos na lua cheia. A taça estava vazia em sua mão esquerda e a outra no interior do bolso de sua calça, fazendo seu cotovelo roçar suavemente em meu braço, provocando um leve tremor por meu corpo. Seus cabelos negros estavam arrumado perfeitamente, tal como o fato de três peças que envergava, engomado na perfeição, demasiado esforço. O colete tinha o mesmo tom de vermelho que o vestido que foi escolhido para que usasse naquela noite. Apesar do esforço era fácil perceber que o homem ao meu lado era um penetra ou um funcionário.

- Comunicação social?

Meus pelos eriçaram com o sorriso que ele deu, deixando-me tensa. Os seus castanhos intensos uniram-se aos meus, num ataque visual que fez meu coração pulsar na velocidade máxima.

- Chegou a essa conclusão pela minha carência de conhecimento sobre música clássica? – Questionou brincando com a taça em sua mão e os olhos ainda sobre mim.

A única resposta que poderia dar iria identificar-me como uma rapariga rica e mimada, pois tinha sido o corte e o tecido de seu terno que levou-me a tal conclusão.

- A maioria das pessoas desse século, até mesmo as que estão lá dentro não conhecem – informei – Ou se quer apreciam – concluí.

- E tu?

- E eu?- sorri para ele.

- Aprecias?

- Única coisa que tenho em comum com meu pai – voltei a olhar para a lua.

- Porque não estás a dançar.

- Não por falta de interessados – veio de imediato a minha mente os dois homens que meu pai achava serem os melhores pretendentes que tinha em sua empresa.

- Investimentos e a bolsa não temas que a atraem?

- Não, quando oiço um original de Tchaikovsky!

- Nem sei como consegue pronunciar tal nome – sorri mais uma vez para ele – Para tua sorte, sou diferente – informou estendendo sua mão.

- São Louboutins – alertei brincando, concedendo-lhe a honra daquela dança.

- Não entendo da música, mas não haverá príncipe encantado que te dará melhor dança – desafiou colocando sua grande mão no fundo das minhas costas.

- Camilla – apresentei-me pousando minha mão direita sobre seu ombro.

- Sou a tua Cinderella – gargalhei.

Nota da Autora

Olá amores! Como estão? 
Como vêem vou continuar a publicar "A Primeira Dança", porém haverá alteraçoes, para quem já leu o que tinha publicado no outro blog relê, e o resto espero que gostem.
Beijos, ótima sexta para todos!

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11 comentários

  1. " não entendo da musica" lol.
    uma pergunta, que já esta inscrito para uma cartinha no outro blog tem que se inscrever de novo ou não?
    ps: não iria me importar em me inscrever de novo.

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  2. Finalmente regressaste!
    Mudaste algumas coisas na curtinha.

    A minha inscrição vou ter que fazer de novo?!

    Beijos :)

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    1. Obrigada eu, por continuares a espera.
      Mudei sim :D
      Respondi no post. beijos

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  3. Que boa notícia! Regressaste!
    "sou a tua Cinderella" eheh! Adorei! Já tinha saudades de ler algo teu.
    Posta logo.
    Beijos!

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    1. Own minha linda. Muito obrigada. é bom estar de volta.
      Já postei.
      beijos

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  4. Fiquei tão feliz por teres voltado :)
    Não sabia que tinhas feito anos em Maio. Parabéns atrasados :)
    Já pus um gosto pelo meu Facebook e pela minha página que é "Fãs da Diana", a Diana (DSP), que também comenta no teu blog e que te deu os parabéns. Se puderes retribuir, caso gostes, claro, agradeço.

    Continua que eu já estava com saudades :)

    Beijos.

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    Respostas
    1. Eu também querida :D
      Obrigada :D Ficando velha.
      Obrigada, e já retribui sim, maneira perfeita de atualizar-me.
      Vou matar todas as saudades.
      Beijos

      Eliminar

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